segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Uma prosa com Seu Antônio


Por que merecem atenção

Pedem por que não tem outra escolha
E vivem a margem da sociedade por que ninguém faz nada para mudar

No dia 4 de Dezembro de 2009, dia de Yansan e Santa Bárbara aqui em Salvador, eu conheci Seu Antônio. Um senhor de 70 anos, do qual seus traços é de quem tinha um pouco mais. Traços estes que apresentavam cada um deles histórias de alguém quem parecia ter sofrido muito.
Ele estava sentado em lugar no ponto. Eu sabendo que ficaria o dia todo em pé trabalhando, sentei do lado dele. Ele então me pediu uma moeda. Disse que não tinha, e realmente achava que não, mas procurei na bolsa e achei 50 centavos. Senti um breve cheiro de álcool quando ele falou. Mas mesmo assim dei a moeda, até por que ele me pediu para tomar um mingau ou comprar um pão. Foi então que comecei a conversar com ele. Perguntei se ele morava perto, ele disse que morava no final de linha de Brotas, pertinho de onde a gente estava. Então começou a me contar que saiu de casa na noite passada, disse que morava de favor, e que o casal que o acolhia tinha brigado, a mulher havia levado quase todos os móveis da casa. O marido chegou de noite, e não gostou do que “não viu”. Ele perguntou a Seu Antônio o que tinha acontecido, e Seu Antônio respondeu – “Menino, eu também não sei!”-. Ele me falou que sentiu medo do cara o agredir, por isso foi passar a noite fora, e por isso tinha ficado sem café. Perguntei onde estava sua família. Contou-me que estava em Feira de Santana, e que não os via há muito tempo, por conta de brigas, mas preferia cada no seu canto, mesmo que a distância te trouxesse tristeza. Vendo que seus olhos tinham enchido de lágrimas, comecei a conversar de outra coisa no mesmo instante. Falei que estava preocupada com ônibus que até o certo momento não tinha chegado, e que esse atraso todo deveria ser pela comemoração do dia – Sta.Bárbara/Yansan- . Ele concordou comigo. Não sei em que momento a conversa virou para começarmos a falar de comidas que agradava nosso apetite. Lembro dele dizendo que não gostava de comida com azeite de dendê, disse também não curtia, e começamos a rir. Perguntei o que ele ficou fazendo a manhã inteira na rua, ele disse que tinha ido no médico, foi fazer um exame, para poder constatar que tinha uma fratura no pé e poder assim ganhar sua aposentadoria por invalidez, já que o todo trabalho que procurava lhe era negado. Perguntei como tinha acontecido tal coisa. Ele disse que uma lata de tinta tinha caído em cima, ficou seis meses com o pé engessado, sem auxilio desemprego, e que isso tinha afetado toda a vida dele, por isso hoje em dia morava de favor e pedia dinheiro nas ruas para poder comer. Perguntei ha quanto tempo tinha acontecido... E ele me disse que apenas três anos. Fiquei paralisada pelo tempo que ele me informou... Achei que morava nas ruas a mais tempo, mas não. Nessa hora engoli o meu choro e olhei para o lado – disfarçando - parei para pensar em quantas pessoas moram na rua por conta de fatos parecidos, lembre da matéria da Ana Paula Padrão sobre moradores de rua. Pensei nas pessoas que julgam todos como vagabundos, e tive ódio delas.
Foi depois disse que perguntei “Seu Antônio, por que ainda não pegou o busu”. E ele me respondeu “Por que estou conversando com você”. Ele me pediu que se visse um Brotas vindo ele iria embora, reclamou que estava com fome e sono, e que iria para casa quando o próximo ônibus viesse. Sabendo que o ônibus chegaria logo, falei a ele que tivesse fé, pois sua aposentadoria iria chegar, e que ele poderia viver com mais dignidade, falei a ele que se fosse beber que ficasse na cervejinha, e que deixasse a pinga de lado. Ele no mesmo instante disse que não bebia pinga, apenas umas cervejinhas. Eu dei risada, olhei para o lado e disse que o ônibus estava vindo. Ele se levantou, pegou na minha mão e me agradeceu pela prosa. Eu desejei para ele toda sorte do mundo, e ele o mesmo para mim. Ele entrou no ônibus, e se foi.
Algumas pessoas no ponto no momento que comecei a ter uma conversa freqüente com Seu Antônio me olharam torto, outros curiosos se aproximaram, e eu? Bom..não liguei para nenhuma delas. Fiquei no final de tudo, alegre em ter conversado com ele, feliz em ter dado atenção a cada palavra que ele dizia. Feliz em ter feito ele dar gargalhadas com minha gírias...E Feliz de ter tido uma conversa com um quase morador de Rua.
Fica ai a minha dica. Não julgue quem você não conhece, dê a si e a pessoa, a oportunidade de se conhecerem, nem que seja por 40 minutos de conversa, como foi a minha e a de Seu Antônio.
Positividade para Todos. E mandem vibração positiva para Seu Antônio para que ele consiga a sua aposentadoria, coisa que lhe é de direito.

domingo, 16 de agosto de 2009

Woodstock - Freedom







Falando em Woodstock,

Atrasada, mas nunca tarde para falar desse acontecimento histórico, que hoje em dia já se encontra até em livros de história e sociologia. Para mim woodstock foi muito mais do que um festival de Rock And Roll, para mim marcou a história da humanidade, por ter sido um momento de libertação. Não há o que contestar sobre isso. 40 anos se passaram, e todos lembram até hoje.
Movimento hippie, festival de drogados, movimento de vagabundos, todos esses termos chulos eu já ouvi falar, mas nenhum deles nunca me tirou da mente a verdadeira essência do evento.
Pela primeira e talvez única vez em todos esses anos de existência de movimentos revolucionários o homem se sentiu livre por 3 dias. Se drogou? Sim. Fez sexo ao ar livre? Sim. Curtiu rock and roll? Sim. Mas e daí? Fez mal à alguém? Não. Ao contrário, todos eram bem vindos e não havia preconceito nenhum.
Não entendo por que há tanta conspiração de militantes religiosos, conservadores e etc, de sempre falar mal do festival. Talvez seja por que eles nunca conseguiram fazer bem a humanidade, talvez seja por sempre terem causado fanatismo nas pessoas quando aplicam suas idéias ridículas em público.
Tristeza eu sinto por nunca mais ter tido outro festival desse, do qual o ser humano fosse visto e se sentisse útil no mundo. Com toda certeza vai demorar para outro festival desse acontecer. Espero estar viva até lá, para poder fazer tudo que fizeram a 15 anos atrás e mais um pouco. Pena que não vou ter Jimmy, The Who, Jannis ... entre outros para poder curtir. Mas espero ver outras bandas tão maravilhosas quanto.
Viva a liberdade que em um momento da nossa história foi realmente sentida!!

Seguidores

Filmes do dia